Primeiro amor


Ainda conservo-te o mesmo olhar

Com a mesma ternura
E o imenso amor
Se hoje sou fria
Como as montanhas geladas de inverno
É porque aprendi com nossa distante convivência

Meu olhar se tornou pálido
A todos os olhares amorosos
Que tentam acalentar o meu desprezo…
Sentimento profundo
Absoluto… Resoluto
Uma dor que só você soube me oferecer

Todo olhar que repousastes em mim
Eu sentia a tristeza dos orvalhos
Tinham o gosto puro das cinzas
Dos oceanos escuros…
Ou das manhãs de outono
Pois seus olhares espalhavam folhas secas…

Todas as vezes que me levanto
E sinto a chuva fina beijando
Minha velha janela
Ela acaba me trazendo
A lembrança do teu rosto sempre entristecido
Como um menino eternamente inseguro
Hoje carrego em minha alma
Uma tristeza infinita
De um amor que persiste
Em resistir…
Mesmo tendo a certeza
Que foi perdido… Sem destino